segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Sou uma alma petrificada  no horizonte do olhar alheio. Devoram-me os sonhos esmagando-os entre os dedos grotescos e pregaram-me os pés ao chão débil que envenenam com o mero vaguear. Não me deixam criar, não na realidade, mesmo dizendo "vai em frente". Preferia sentir os punhos presos, mas sinto o espírito! Quero sair daqui mas seria egoísta deixar para trás tudo o que tenho aqui.
Não me sinto feliz, não de verdade. Sou mais uma alma vazia sem lugar aqui.

(A história "Raul" encontra-se -por agora- estagnada assim como o blog se encontra menos activo.)

domingo, 8 de setembro de 2013

Raul (11)

Quando acordou estava no chão do passeio, em frente à própria casa, com o pai ao seu lado a tentar acordá-la. Assim que ela abriu os olhos e olhou para ele, este abraçou-a e suspirou.
-Porque é que eu estou aqui? - Perguntou ela.
-Eu só sei que estava a vir para casa e estavas tu aqui. A Sra. Ana disse que tropeçaste e caíste e desde então não acordavas e não paravas de falar. A pobre mulher não sabia o que fazer porque a esta hora os vizinhos estão todos a trabalhar e ela não tinha força para pegar em ti e levar-te para casa. Entretanto eu cheguei e tu agora acordas-te. Como te sentes? Era preferível teres ido ter comigo ao banco…

domingo, 1 de setembro de 2013

Raul (10)

anterior: Raul (9)
Deu um passo em direção ao interior:
-Boa tarde! – Disse Maria ao entrar, sem que obtivesse qualquer resposta. – Está alguém em casa? – Mais uma vez sem resposta.
            A casa encontrava-se, como de costume, bem arrumada. As almofadas cuidadosamente colocadas sobre o sofá, o taco limpo e encerado, e a mobília limpa sem ponta de pó.  A janela estava entreaberta e a cortina movia-se graciosamente em função da brisa.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

incerteza nublada


Fim de uma tarde de céu nublado. Nem parecia ser um dia pertencente àquele verão infernal que nos queimava os medos e nos fazia deixar evaporar as palavras quando os nossos olhares se prendiam um ao outro. E eu fingia não me importar com o que ele não dizia e levianamente deixava por dizer sem se importar, exactamente daquele jeito que eu tentava imitar. Mas tu sempre me fizeste esquecer... Tu sempre foste o meu refúgio da realidade e o cofre dos meus segredos...