domingo, 8 de setembro de 2013

Raul (11)

Quando acordou estava no chão do passeio, em frente à própria casa, com o pai ao seu lado a tentar acordá-la. Assim que ela abriu os olhos e olhou para ele, este abraçou-a e suspirou.
-Porque é que eu estou aqui? - Perguntou ela.
-Eu só sei que estava a vir para casa e estavas tu aqui. A Sra. Ana disse que tropeçaste e caíste e desde então não acordavas e não paravas de falar. A pobre mulher não sabia o que fazer porque a esta hora os vizinhos estão todos a trabalhar e ela não tinha força para pegar em ti e levar-te para casa. Entretanto eu cheguei e tu agora acordas-te. Como te sentes? Era preferível teres ido ter comigo ao banco…
-Confusa… Achava que tinha ido à casa do Raul mas se caí aqui, devo ter sonhado tudo…
-Casa do Raul? Oh filha… Andas a assustar-me com esses sonhos e essas contínuas lembranças e coisas relacionadas com o Raul. Eu sei que é difícil mas porque não tentas espairecer, sair com a Nádia ou a Catarina… Vá lá, tu tinhas e tens mais amigos!
-Nenhum que me apoiasse como o Raul…
-Filha… Por favor.
-Eu estou a superar isto, ok? Só preciso de tempo… Por favor, pensava que percebias…
-E percebo… Não insisto, só custa… Mas se precisares de falar também me tens a mim!
-Eu sei pai… E eu adoro-te. – Maria abraçou-se a ele.
-Não tanto quanto eu formiga! – Ele sorriu.
-A sério que me foste chamar isso? Já tenho quase o teu tamanho, ai… – Disse retribuindo o sorriso. Quando era pequena o pai tinha o hábito de lho chamar porque sempre fora muito pequena.
-Vais sê-lo sempre! E agora vamos para dentro tomar qualquer coisa sim? – O pai ajudou-a a levantar-se.
-Sim.
            Ele pegou no saco dela e dirigiram-se para dentro. Lancharam e, depois disso, ela subiu para o quarto e pôs música bem alto para não ouvir os próprios pensamentos que não se afastavam do mesmo tema: Raul. Não parava quieta. Ora se sentava na secretária e ia ao computador, ora se deitava na cama a olhar para o teto e tentava esquecer tudo. Fizesse o que fizesse, não conseguia parar de pensar nas cartas e na suposta visita à casa do Raul.
Por baixo da cama ela escondia um caderno do qual ninguém sabia, onde escrevia. Era como um diário mas nunca fora utilizado por ela com esse objectivo pois apenas escrevia para desabafar. Coisas que nem ao Raul conseguia contar e, naquele caso, mesmo que quisesse, não podia. Levantou o pedaço de madeira do taco e tirou o caderno de capa verde aveludado de lá e assim se perdeu nas horas até o pai a vir chamar para jantar.
Está a anoitecer e o céu fica cada vez mais escuro. Parece que tenta competir comigo mas ele nunca conseguirá ficar tão negro como o meu coração ou tão sombrio como o meu olhar. Eras a minha luz e agora, sem ti, sinto-me perdida... sem rumo...


Não há fogo que me ilumine o caminho – esse, apenas me encandeia e me faz sentir o corpo mais gélido. Faltam-me os teus braços para me abraçar... Só queria voltar atrás e dizer-te o que nunca disse, voltar atrás e impedir-te de ir embora naquela noite. Só queria mudar o passado porque sem ti no meu presente, não vejo felicidade num futuro possível.”

3 comentários:

  1. r: somos mais nós irracionais que os próprios animais :/
    totó xD olha que eu quero mesmo conhecer-te, ahm? :D

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  2. Estou a adorar a história.
    Muitos parabéns !
    Fico a espera das próximas partes ! Segui e seguirei (:
    Beijo*

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